De acordo com a Global Iniciative for Asthma, a asma brônquica é definida como uma doença heterogénea, caracterizada pela inflamação crónica das vias aéreas e definida pela presença de sintomas respiratórios, tais como pieira, dispneia (“cansaço”), opressão torácica e tosse.
Estes sintomas são agravados por diversos fatores, tais como o exercício, exposição a alergénios, alterações climáticas ou infeções respiratórias virais, e podem reverter de forma espontânea ou com recurso a medicação.
Devido à heterogeneidade da doença, é possível identificar grupos com diferentes características clínicas ou fisiopatológicas, classificadas como fenótipos de asma.
A asma é uma patologia transversal a todas as idades, constituiu um importante problema de saúde pessoal e saúde publica a nível global, o incumprimento terapêutico e uma técnica inalatória incorreta é frequentemente observado em consultas de saúde infantil e um fraco controlo da asma leva a episódios frequentes de agudização.
O fraco controlo da asma têm um impacto significativo na vida das crianças e na vida familiar, isto porque leva a um elevado absentismo escolar, e por consequência a um absentismos laboral dos pais ou dos cuidadores, e o aspeto mais importante, diminui francamente a qualidade de vida das crianças.
Segundo a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC), existem:
- Cerca de 175.000 crianças/adolescentes com asma, ou seja, 8,4% de crianças tem asma e metade das crianças asmáticas portuguesas (51%) não tem a sua asma controlada.
- São gastos todos os anos cerca de 40 milhões de euros em episódios de urgências/atendimentos não programados devido a crises de asma, ou seja, cada criança gasta entre 400 e 700€/ ano em idas ao SU/ atendimentos não programados – cada criança com asma vai 1,6 a 1,9 x/ano ao serviço de urgência.
- Por ano as crianças faltam mais de 500.000 dias à escola, ou seja, em média cada criança falta 6 dias/ano à escola devido a episódios de asma não controlada.
- O absentismo escolar e laboral é 3 vezes mais nas crianças com asma não controlada, tendo um impacto económico global de 2 a 3 vezes mais que uma criança com asma controlada.
Outro dado relevante que a SPAIC avança é que 1/3 das crianças asmáticas portuguesas são internadas num hospital por agudização da asma pelo menos 1 vez na vida.
Na infância falamos de 3 tipos de asma:
- Pieira infantil transitória que ocorre durante os primeiros meses de vida, mas não se prolonga além dos três anos – Estas crianças não têm história familiar de atopia e têm um bom prognóstico.
- Pieira não atópica em bébé, em idade pré-escolar, após uma infeção respiratória.
- Sibilância atópica persistente em crianças que continuam com pieira após os 10 anos e têm alergias e hiperreatividade brônquica.
Muitas crianças têm uma evolução favorável com remissão espontânea na adolescência, mas os sintomas podem surgir novamente na idade adulta. Este tipo de asma no adulto é uma asma predominantemente alérgica.
A asma atópica é o fenótipo de asma mais facilmente reconhecido, que muitas vezes começa na infância – (asma infantil), e está associada a história do passado e/ou familiar de doença atópica, tal como o eczema, rinite alérgica ou alergia a alimentos ou medicamentos.
Existem sinais e sintomas respiratórios típicos de asma e quando presentes, aumentam a probabilidade de estarmos na presença de um doente asmático: os sibilos (popularmente denominados de “pieira”, “chiadeira”, “gatos”, “farfalheira”), falta de ar, tosse e aperto no peito.
Os sintomas, muitas vezes, pioram à noite ou no início da manhã; daí ser muitas vezes denominada por “asma noturna”; os sintomas variam ao longo do tempo e de intensidade; e os sintomas são desencadeados por: infeções virais (constipações), exercício físico, exposição a alérgenos, mudanças no clima, risos e substâncias irritantes (fumo, poluição ou cheiros fortes).
Diagnóstico
O diagnóstico da asma é baseado sobretudo na identificação da associação de um padrão característico de sintomas respiratórios e da verificação de uma limitação do fluxo aéreo expiratório (através de um exame de espirometria).
A asma tem uma forte componente genética, não é contagiosa e não tem cura.
O tratamento da asma, passa pelo controlo dos sintomas, ou seja, pela presença mínima de sintomas durante o dia e à noite; pouco uso de medicação de alívio (terapêutica de SOS); ausência de exacerbações; ausência de limitações na atividade física e uma normal função pulmonar (espirometria).
Para o controlo dos sintomas é importante, o seguimento por um médico especialista em pneumologia (pneumologista), reduzir a exposição aos alérgenos, haver uma adesão ao tratamento e sobretudo a realização de terapêutica inalatória de forma correta.
A terapêutica inalatória é atualmente reconhecida como a via de eleição para a administração de fármacos para o tratamento das doenças respiratórias como o caso da asma e dentro deste grupo, a terapêutica inalatória pressurizada, é a de eleição na 1º infância (até 6 anos de idade), ou seja, os broncodilatadores (ação rápida), também conhecida como a terapêutica de “SOS” e o corticosteroide, que tem uma ação anti-inflamatória no pulmão.
Este tipo de terapêutica deve ser realizada usando um dispositivo, conhecido como “câmara expansora”.
As câmaras expansoras, são dispositivos de ajuda que melhoram a técnica inalatória, aumentam a dispersão das partículas do medicamento e não exige coordenação “mão-pulmão”, que é inexistente nos bebés e pouco presente nas crianças.
O recurso a câmaras expansoras contribui para que haja uma menor deposição de medicamento na boca e garganta e uma maior deposição pulmonar.
As “crises de asma”, são uma causa frequente de emergência médica, são caracterizadas por alguns sintomas como um aumento progressivo de dispneia (“falta de ar”), tosse e pieira, este agravamento decorre durante horas ou dias, mas por vezes é rápido e requer tratamento imediato.
As infeções respiratórias, especialmente virais e o contacto com alergénios são as causas que habitualmente precipitam estas crises na infância.
O tratamento de um “ataque ou crise de asma” tem por base a correção da causa subjacente (eventualmente antibiótico no caso de infeção); administração de broncodilatadores e a redução da inflamação brônquica (corticosteroides).
O tipo de tratamento e a forma de o administrar vai depender da gravidade da exacerbação (endovenoso, comprimidos, Xarope) mas sempre sob orientação médica.
Apenas em situações muito graves deve ser utilizada a forma de aerossol por nebulizadores.
Prevenção
A prevenção das “crises” passa essencialmente em evitar os alérgenos que provocam habitualmente as crises e manter a asma sob controlo.
Para isso, é importante a identificação rigorosa e evicção dos fatores desencadeantes: pó da casa, polenes, pêlo animais, etc; evitar ambientes com poluição, fumos; evitar e tratar constipações, gripe e sinusite; não fumar próximo da criança e evitar proximidade desta com fumo do tabaco.
Perante uma “crise de asma” – deve-se fazer o determinado no plano de ação, plano de ação este que deve ser elaborado pelo médico pneumologista.
Neste plano, deve constar o número de inalações de SOS e os sinais de alarme para telefonar ou recorrer à consulta médica/ urgência.
No caso dos bebés/ crianças é importante disponibilizar o plano de ação à creche/ escola e os adultos que frequentemente lidam com a criança devem estar aptos e capacitados para administrar a terapêutica em SOS de forma correta.
Cátia Sebastião
Enfermeira no Centro Pediátrico Susana Wilton

